
"Queria ser Pena,
que plana pelo ar
tranquilo
que tem como certeza:
a incerteza de um futuro
incerto."
Raphael França


"Alzira bebendo vodka defronte da torre Malakoff
descobre que o chão do Recife afunda um milímetro a cada gole
Alzira na rua do hospício, no meio do asfalto, fez um jardim
em que paraíso distante, Alzira, ela espera por mim?"

Posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei..
Que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
... Vou pensar.

"Não vou querer mais
Não vou poder mais
Teu olhar na minha vida
A tua calma companhia
Embora te queira tanto amor
Me deixa só
Errado e complicado
Não posso a tua paz
De nada me adianta a tua voz
Me cansa o teu eterno perdão
Embora eu queira tanto o teu peito amigo, amigo
Me deixa só
Errado e complicado
Não imponha tua mão no meu caminho
Eu prefiro amar tua distância
A morrer em outra despedida
A ir morrendo em outra direção
Embora eu queira tanto o teu peito amigo."

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já te cansastes de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, fico contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão


Paz, eu quero paz
Já me cansei de ser a última a saber de ti
Se todo mundo sabe quem te faz
Chegar mais tarde
Eu já cansei de imaginar você com ela
Diz pra mim
Se vale a pena amor
A gente ria tanto desses nossos desencontros
Mas você passou do ponto
E agora eu já não sei mais
Eu quero paz
Quero dançar com outro par
Pra variar amor
Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fez
Se dessa vez ela é
Senhora desse amor
Pois vá embora por favor
Que não demora pra essa dor
Sangrar...
Marcelo Camelo

Como um animal
Que sabe da floresta
Memórias!
Redescobrir o sal
Que está na própria pele
Macia!
Redescobrir o doce
No lamber das línguas
Macias!
Redescobrir o gosto
E o sabor da festa
Magia!
Vai o bicho homem
Fruto da semente
Memórias!
Renascer da própria força
Própria luz e fé
Memorias!
Entender que tudo é nosso
Sempre esteve em nós
História!
Somos a semente
Ato, mente e voz
Magia!
Não tenha medo
Meu menino povo
Memórias!
Tudo principia
Na própria pessoa
Beleza!
Vai como a criança
Que não teme o tempo
Mistério!
Amor se fazer
É tão prazer
Que é como fosse dor
Magia!
Como se fora
Brincadeira de roda
Memórias!
Jogo do trabalho
Na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos
Na canção da vida
Histórias!
O suor da vida
No calor de irmãos
Magia!


São sorrisos largos
Lagos repletos de azul
Os corações atentos
Ventos do sul
São visões abertas
Certas despertas pra luz
A emoção alerta
Que nos conduz
Sonhos aventuras
Juras promessas
Dessas que um dia acontecerão
Você me daria a mão?
Todos estes versos soltos dispersos
No meu novo universo serão
Palavras do coração
Os artifícios
Vícios deixando de ser
Os velhos compromissos
Pra esquecer
São pontos de vista
Uma conquista comum
O mesmo pé na estrada
De cada um
Vai sim, vai ser sempre assim


Por um segundo eu fechei os olhos
e já deu, o sono me venceu
e nos meus sonhos tudo é colorido
Eu vejo o céu, sei voar
Não sinto frio, tomo um ar seguro
Tenho pensamentos, vou contar
Como se o tempo que por um segundo
quisesse parar
Seus anjos vão ficar aqui comigo
até o amanhecer?!
E tudo que eu sinto é tão bonito
nunca mais eu vou sofrer
Não sinto frio, tomo um ar seguro
Tenho pensamentos, vou contar
Como se o tempo que por um segundo
quisesse parar
Seus anjos vão ficar aqui comigo
até o amanhecer?!
E tudo que eu sinto é tão bonito
nunca mais eu vou sofrer
E tudo que tudo como em todo permaneça,
no centro de tua alma
que a calma acalmo e que a calma traga o sono
no sonho infinito de ser feliz
Roberta Campos


A Peça
Friedrich Johann Franz Woyzeck é um soldado. Trabalhador e dedicado à mulher, Marie, e ao filho pequeno, é usado no trabalho como cobaia das experiências do Doutor, em troca de uns trocados a mais.
De natureza bastante questionadora, gera problemas com seu superior, o Capitão, e com o próprio Doutor, questionando a moral e os costumes sociais, uma vez que ele próprio tem um filho não sendo casado, e não compreende coisas básicas como o fato de não se poder urinar no meio da rua quando se tem vontade. Ao final das contas, é sempre colocado em seu lugar, como o soldado raso que é, uma vez que não pode ter o luxo de perder seus "privilégios" conquistados no trabalho.
Mas isso é apenas uma fachada de seu conflito, que se mostra ainda mais profundo no decorrer da peça.
Pelas experiências do Doutor, Woyzeck passa a comer apenas ervilhas, fazendo com que fique debilitado e tenha alucinações baseadas nos questionamentos que desenvolveu. Desabafa com seu colega Andrés todas as teorias conspiratórias e os sons e visões que passa a ouvir e ter. Sua própria mulher começa a ficar preocupada com suas atitudes, vendo que Woyzeck fica cada vez mais distante, mesmo nunca se descuidando de sua família.
Marie passa a ter um caso com o Tamboreiro-mor da banda militar, um sujeito atraente e bastante aproveitador, nunca deixando de se sentir culpada por sua atitude.
Pelas insinuações de seus superiores, Woyzeck passa a desconfiar da mulher, e começa a tratá-la cada vez com mais frieza. Até que suas desconfianças se mostram verdadeiras ao ver os dois juntos em um baile.
Cobaia de uma experiência, debilitado fisicamente, confuso, sem voz ativa e sem qualquer crédito com relação a seus questionamentos, traído, sozinho, Woyzeck ainda busca tirar satisfações e lavar sua honra provocando uma briga com o Tamboreiro-mor, levando uma surra. Humilhado e em total desespero, Woyzeck deixa seu testamento com Andrés, chama Marie para um passeio e a mata com uma faca.
A História
Woyzeck é uma peça baseada em fatos reais da época. Johann Christian Woyzeck (1780-1824) é um rapaz perde os pais e se torna ajudante de um fabricante de perucas. Não se afirma na profissão e para escapar à fome entra para o exército. Aceita dinheiro de um médico para fazer uma experiência: comer apenas ervilhas. O médico exulta ao ver e anotar a degradação em seu corpo. Sua mulher lhe é infiel. Seu superior lhe chama de imoral pois não é casado. O trabalho é degradante, as autoridades são prostituídas mais que constituídas e a vida familiar é um paraíso às avessas. Passa doze anos pontuados por detenções por indisciplina. É dispensado. Arranja uma amante, que tem outros homens. Desempregado, pede esmolas e dorme ao relento. Numa crise de ciúmes mata a amante, acaba por ser decapitado em consequência de ter morto a mulher.
Vou ficar
o tempo que preciso for
pra te dar todo o amor necessário
Vou correr
por toda terra a procurar
seu olhar e o sorriso que é tão raro
A vida me fez pra ser feliz
e o teu coração me diz o mesmo
Vou chorar
às vezes vou sorrir de amor
ser assim trazer o lado bom das cores
Vou somar
os restos que você deixou
melhorar, reparando minhas dores
A vida me fez pra ser feliz
e o teu coração me diz o mesmo
Solidão partiu, agora só você e eu aqui
solidão partiu, agora só você e eu aqui, ali
pra ser feliz, pra viver, pra sonhar
pra sorrir ou chorar, assim, pra sempre...
Roberta Campos